A fé católica fundamenta-se nas verdades reveladas por Deus e transmitidas e ensinadas pela Igreja ao longo dos séculos. Estas verdades abrangem quem é Deus, a Santíssima Trindade, a Criação, Jesus Cristo, a Virgem Maria, a graça, a Igreja, os Sacramentos e as verdades últimas acerca do Céu, do Purgatório e do Inferno.
A seguir apresentamos uma lista de 255 afirmações da fé católica, agrupadas por matérias para facilitar a sua consulta, estudo e meditação.
I. Deus: existência, natureza e atributos
- Deus, nosso Criador e Senhor, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das coisas criadas.
- A existência de Deus não é somente objeto do conhecimento racional natural, mas também objeto da fé sobrenatural.
- A natureza de Deus é incompreensível para os homens.
- Os bem-aventurados no Céu possuem um conhecimento intuitivo imediato da Essência divina.
- A visão imediata de Deus transcende o poder natural de conhecimento da alma humana e, portanto, é sobrenatural.
- A alma, para a visão imediata de Deus, necessita da luz da glória.
- A Essência divina é também incompreensível para os bem-aventurados do Céu.
- Os atributos divinos são realmente idênticos entre si e com a Essência divina.
- Deus é absolutamente perfeito.
- Deus é infinitamente perfeito em toda perfeição.
- Deus é absolutamente simples.
- Há um só Deus.
- O único Deus é, em sentido ontológico, o Deus verdadeiro.
- Deus possui um poder infinito de conhecimento.
- Deus é a Verdade absoluta.
- Deus é absolutamente fiel.
- Deus é a Bondade ontológica absoluta em Si mesmo e em relação aos demais.
- Deus é a Bondade moral absoluta ou Santidade.
- Deus é a absoluta Benignidade.
- Deus é absolutamente imutável.
- Deus é eterno.
- Deus é imenso ou absolutamente incomensurável.
- Deus está presente em todas as partes do espaço criado.
- O conhecimento de Deus é infinito.
- Deus conhece todas as coisas meramente possíveis mediante o conhecimento da inteligência simples (scientia simplicis intelligentiae).
- Deus conhece todas as coisas reais do passado, do presente e do futuro (scientia visionis).
- Mediante o conhecimento de visão (scientia visionis), Deus também prevê com certeza infalível os atos livres das criaturas racionais.
- A vontade divina é infinita.
- Deus ama necessariamente a Si mesmo, mas ama e quer livremente as coisas criadas fora d’Ele.
- Deus é omnipotente.
- Deus é o Senhor dos céus e da terra.
- Deus é infinitamente justo.
- Deus é infinitamente misericordioso.
II. A Santíssima Trindade e a criação
- Em Deus há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma das três Pessoas possui a única e idêntica Essência divina.
- Em Deus há duas Processões divinas internas.
- As Pessoas divinas, e não a Natureza divina, são o sujeito das Processões divinas internas, tanto em sentido ativo como passivo.
- A Segunda Pessoa divina procede da Primeira Pessoa divina por geração e, por isso, está relacionada com Ele como Filho em relação ao Pai.
- O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de um único Princípio, mediante uma única espiração.
- O Espírito Santo não procede por geração, mas por espiração.
- As Relações em Deus são realmente idênticas à Natureza divina.
- As três Pessoas divinas estão umas nas outras.
- Todas as atividades de Deus ad extra são comuns às três Pessoas.
- Tudo quanto existe fora de Deus foi produzido por Deus do nada em toda a sua substância.
- Deus foi movido pela sua Bondade a criar o mundo.
- O mundo foi criado para a glorificação de Deus.
- As três Pessoas divinas são um único e comum Princípio da Criação.
- Deus criou o mundo livre de toda coação exterior e de toda necessidade interior.
- Deus criou um mundo bom.
- O mundo teve um começo no tempo.
- Deus criou sozinho o mundo.
- Deus mantém todas as coisas criadas na existência.
- Deus, mediante a sua Providência, protege e guia tudo quanto criou.
III. O homem, o pecado original e os anjos
- O primeiro homem foi criado por Deus.
- O homem é constituído por duas partes essenciais: um corpo material e uma alma espiritual.
- A alma racional é, por si mesma, a forma essencial do corpo.
- Todo ser humano possui uma alma individual.
- Deus conferiu ao homem um destino sobrenatural.
- Os nossos primeiros pais, antes da Queda, estavam dotados da graça santificante.
- Também estavam dotados do donum immortalitatis, isto é, do dom da imortalidade corporal.
- Os nossos primeiros pais, no paraíso, pecaram gravemente mediante a transgressão do mandamento divino pelo qual foram postos à prova.
- Pelo pecado, os nossos primeiros pais perderam a graça santificante e provocaram a ira e a indignação de Deus.
- Os nossos primeiros pais ficaram sujeitos à morte e ao domínio do Diabo.
- O pecado de Adão é transmitido à sua posteridade, não por imitação, mas por descendência.
- O pecado original é transmitido mediante a geração natural.
- No estado de pecado original, o homem está privado da graça santificante e de tudo quanto ela implica, bem como dos dons sobrenaturais de integridade.
- As almas que abandonam esta vida em estado de pecado original ficam excluídas da Visão Beatífica de Deus.
- No princípio dos tempos, Deus criou do nada as substâncias espirituais (os anjos).
- A natureza dos anjos é espiritual.
- A tarefa secundária dos anjos bons é a proteção dos homens e o cuidado da sua salvação.
- O Diabo possui certo domínio sobre a humanidade por causa do pecado de Adão.
IV. Jesus Cristo: Encarnação e Pessoa divina
- Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Filho de Deus.
- Cristo assumiu um corpo real, não um corpo aparente.
- Cristo assumiu não somente um corpo, mas também uma alma racional.
- Cristo foi verdadeiramente gerado e nasceu de uma filha de Adão, a Virgem Maria.
- As naturezas divina e humana estão unidas hipostaticamente em Cristo, isto é, unidas entre si numa só Pessoa.
- Cristo encarnado é um só, isto é, uma única Pessoa. Ele é Deus e homem ao mesmo tempo.
- O Deus-Logos está unido à carne mediante uma união interior, física ou substancial. Cristo não é simplesmente portador de Deus, mas é verdadeiramente Deus.
- As atividades humanas e divinas atribuídas a Cristo na Sagrada Escritura e nos Padres não podem ser divididas entre duas pessoas ou hipóstases, o Homem-Cristo e o Deus-Logos, mas devem ser atribuídas ao único Cristo, o Logos feito carne. É o Logos divino quem sofreu na carne, foi crucificado, morreu e ressuscitou.
- A Santíssima Virgem é Mãe de Deus, pois verdadeiramente deu à luz o Deus-Logos feito carne.
- Na União Hipostática, cada uma das duas naturezas de Cristo permanece íntegra, sem transformação e sem mistura com a outra.
- Cada uma das duas naturezas de Cristo possui a sua própria vontade natural e o seu próprio modo natural de agir.
- A União Hipostática da natureza humana de Cristo com o Logos divino ocorreu no mesmo momento da concepção.
- A União Hipostática jamais cessará.
- A União Hipostática foi realizada pelas Três Pessoas Divinas agindo conjuntamente.
- Somente a Segunda Pessoa Divina se fez homem.
- Jesus Cristo, além de ser Deus, também como homem é o Filho natural de Deus.
- Jesus Cristo, Deus-Homem, deve ser venerado com um único modo de culto: o culto absoluto de latria, que corresponde somente a Deus.
- As características e atividades divinas e humanas de Cristo devem ser atribuídas ao único Verbo Encarnado.
- Cristo esteve livre de todo pecado, tanto do pecado original como de todo pecado pessoal.
- A natureza humana de Cristo era passível, isto é, capaz de experimentar sensações e sofrimento.
V. A Redenção, Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão
- O Filho de Deus fez-se homem para redimir os homens.
- O homem caído não pode redimir-se a si mesmo.
- Jesus Cristo, Deus e homem, é o Sumo Sacerdote.
- Cristo ofereceu-Se a Si mesmo na Cruz como verdadeiro e próprio sacrifício.
- Cristo, mediante o seu sacrifício na Cruz, resgatou-nos e reconciliou-nos com Deus.
- Cristo não morreu somente pelos predestinados.
- A expiação de Cristo não se estende aos anjos caídos.
- Cristo, mediante a sua Paixão e Morte, mereceu uma recompensa da parte de Deus.
- Depois da sua morte, a alma de Cristo, separada do seu corpo, desceu aos infernos.
- Ao terceiro dia depois da sua morte, Cristo ressuscitou gloriosamente dos mortos.
- Cristo subiu ao Céu com corpo e alma e está sentado à direita do Pai.
VI. A Santíssima Virgem Maria
- Maria é verdadeiramente Mãe de Deus.
- Maria foi concebida sem a mancha do pecado original.
- Maria concebeu pela obra do Espírito Santo, sem cooperação de homem.
- Maria deu à luz o seu Filho sem qualquer diminuição da sua integridade virginal.
- Também depois do nascimento de Jesus, Maria permaneceu Virgem.
- Maria foi Virgem antes, durante e depois do nascimento de Jesus Cristo.
- Maria foi assunta ao Céu em corpo e alma.
VII. A graça, o livre-arbítrio e a justificação
- Existe uma intervenção sobrenatural de Deus nas faculdades da alma que precede o ato livre da vontade.
- Existe uma influência sobrenatural de Deus nas faculdades da alma que coincide no tempo com o ato livre da vontade humana.
- Para todo ato salutar é absolutamente necessária a graça interna sobrenatural de Deus (gratia elevans).
- A graça interna sobrenatural é absolutamente necessária para o início da fé e da salvação.
- Sem a ajuda especial de Deus, o justificado não pode perseverar até ao fim na justificação.
- A pessoa justificada não pode, durante toda a sua vida, evitar todos os pecados, inclusive os pecados veniais, sem o privilégio especial da graça de Deus.
- Mesmo no estado de natureza caída, o homem pode conhecer, mediante o seu poder intelectual natural, as verdades religiosas e morais.
- Para realizar uma ação moralmente boa não é necessária a graça santificante.
- No estado de natureza caída, é moralmente impossível para o homem, sem a Revelação sobrenatural, conhecer facilmente, com certeza absoluta e sem mistura de erro, todas as verdades religiosas e morais da ordem natural.
- A graça não pode ser merecida mediante obras naturais, nem de condigno nem de congruo.
- Deus concede a todos os justos a graça suficientemente necessária (gratia proxima vel remota sufficiens) para a observância dos Mandamentos divinos.
- Deus, mediante o seu eterno desígnio de vontade, predestinou determinados homens à bem-aventurança eterna.
- Deus, mediante um eterno desígnio da sua vontade, predestina determinados homens, por causa dos seus pecados previstos, à reprovação eterna.
- A vontade humana permanece livre sob a influência da graça eficaz, que não é irresistível.
- Existe uma graça que é verdadeira e realmente suficiente e que, contudo, permanece ineficaz (gratia vere et mere sufficiens).
- O pecador pode e deve preparar-se, com a ajuda da graça atual, para receber a graça pela qual é justificado.
- A justificação de um adulto não é possível sem a fé.
- Além da fé, devem estar presentes outros atos de disposição.
- A graça santificante santifica a alma.
- A graça santificante torna o homem justo amigo de Deus.
- A graça santificante torna o homem justo filho de Deus e concede-lhe direito à herança do Céu.
- As três virtudes divinas ou teologais da Fé, da Esperança e da Caridade são infundidas juntamente com a graça santificante.
- Sem uma Revelação divina especial, ninguém pode saber com certeza de fé se se encontra em estado de graça.
- O grau da graça justificante não é idêntico em todos os justos.
- A graça pode aumentar mediante as boas obras.
- A graça pela qual somos justificados pode ser perdida, e perde-se por todo pecado grave [mortal, sério].
- Mediante as suas boas obras, o homem justificado adquire realmente para si um direito a uma recompensa sobrenatural da parte de Deus.
- Mediante cada boa obra, o homem justificado merece realmente para si um aumento da graça santificante, a vida eterna — se morrer em estado de graça — e um aumento da glória celestial.
VIII. A Igreja: fundação, constituição e autoridade
- A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, Deus-Homem.
- O nosso Redentor conserva pelo poder divino a sociedade fundada por Ele, a Igreja.
- Cristo é o Divino Redentor do seu Corpo, a Igreja.
- Cristo fundou a Igreja para continuar por todos os tempos a sua obra de redenção de todos os homens.
- Cristo deu à sua Igreja uma constituição hierárquica.
- Os poderes conferidos aos Apóstolos desceram até aos bispos.
- Cristo constituiu o Apóstolo Pedro como o primeiro de todos os Apóstolos e como cabeça visível de toda a Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado de jurisdição.
- Segundo o mandato de Cristo, Pedro deve ter sucessores no seu primado sobre toda a Igreja e para todos os tempos.
- Os sucessores de Pedro no Primado são os bispos de Roma.
- O Papa possui plena e suprema potestade de jurisdição sobre toda a Igreja, não somente em matéria de fé e moral, mas também na disciplina da Igreja e no seu governo.
- O Papa é infalível quando fala ex cathedra.
- Por direito divino, os bispos possuem um poder ordinário de governo sobre as suas dioceses.
- Cristo é a Cabeça da Igreja.
- Na decisão definitiva sobre as doutrinas relativas à fé e à moral, a Igreja é infalível.
- O objeto primário da infalibilidade são as verdades formalmente reveladas da doutrina cristã relativas à fé e à moral.
- A totalidade dos bispos é infalível quando, reunidos num concílio geral ou dispersos pelo mundo, propõem um ensinamento sobre a fé ou a moral como algo que deve ser sustentado por todos os fiéis.
IX. As notas da Igreja e a comunhão dos santos
- A Igreja fundada por Cristo é única e una.
- A Igreja fundada por Cristo é santa.
- A Igreja fundada por Cristo é católica.
- A Igreja fundada por Cristo é apostólica.
- A pertença à Igreja é necessária para todos os homens para a salvação.
- É lícito e proveitoso venerar os santos do Céu e invocar a sua intercessão.
- É lícito e proveitoso venerar as relíquias dos santos.
- É lícito e proveitoso venerar as imagens dos santos.
- Os fiéis vivos podem acudir em auxílio das almas do Purgatório mediante os seus sufrágios.
X. Os Sacramentos em geral
- Os Sacramentos da Nova Aliança contêm a graça que significam e conferem-na àqueles que não lhe colocam obstáculo.
- Os Sacramentos operam ex opere operato (simplesmente pelo facto de serem realizados).
- Todos os Sacramentos da Nova Aliança conferem a graça santificante àqueles que os recebem.
- Três Sacramentos — Batismo, Confirmação e Ordem — imprimem um caráter, isto é, uma marca espiritual indelével, e por esta razão não podem ser repetidos.
- O caráter sacramental é uma marca espiritual impressa na alma.
- O caráter sacramental permanece pelo menos até à morte daquele que o recebe.
- Todos os Sacramentos da Nova Aliança foram instituídos por Jesus Cristo.
- Há sete Sacramentos da Nova Lei.
- Os Sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação da humanidade.
XI. Administração dos Sacramentos e Batismo
- Para a válida administração dos Sacramentos é necessário que o ministro realize corretamente o sinal sacramental.
- O ministro deve ter, além disso, pelo menos a intenção de fazer aquilo que faz a Igreja.
- No caso dos adultos que recebem os Sacramentos, exige-se uma disposição moralmente digna para os receber digna e frutuosamente.
- O Batismo é um verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo.
- A matéria remota do Sacramento do Batismo é a água verdadeira e natural.
- O Batismo confere a graça da justificação.
- O Batismo produz a remissão de todas as penas do pecado, tanto eternas como temporais.
- Mesmo que seja recebido indignamente, o Batismo válido imprime na alma daquele que o recebe uma marca espiritual indelével, o caráter batismal, e por esta razão o Sacramento não pode ser repetido.
- O Batismo de água (Baptismus fluminis) é, desde a promulgação do Evangelho, necessário para todos os homens, sem exceção, para a salvação.
- O Batismo pode ser administrado validamente por qualquer pessoa.
- O Batismo pode ser recebido por qualquer pessoa que se encontre em estado de peregrinação terrena e que ainda não tenha sido batizada.
- O Batismo das crianças pequenas é válido e lícito.
XII. A Confirmação
- A Confirmação é um verdadeiro Sacramento no sentido próprio do termo.
- A Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével e, por esta razão, não pode ser repetida.
- O ministro ordinário da Confirmação é unicamente o bispo.
XIII. A Santíssima Eucaristia
- O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo estão verdadeira, real e substancialmente presentes na Eucaristia.
- Cristo torna-Se presente no Sacramento do Altar mediante a transformação de toda a substância do pão no seu Corpo e de toda a substância do vinho no seu Sangue.
- Os acidentes do pão e do vinho permanecem depois da mudança de substância.
- O Corpo e o Sangue de Cristo, juntamente com a sua Alma e a sua Divindade, e portanto Cristo inteiro, estão verdadeiramente presentes na Eucaristia.
- Cristo inteiro está presente sob cada uma das duas espécies.
- Quando qualquer uma das espécies consagradas é dividida, Cristo inteiro está presente em cada parte da espécie.
- Uma vez concluída a consagração, o Corpo e o Sangue permanecem permanentemente presentes na Eucaristia.
- Deve ser prestado o culto de adoração (latria) a Cristo presente na Eucaristia.
- A Eucaristia é um verdadeiro Sacramento instituído por Cristo.
- A matéria para a confecção da Eucaristia é o pão e o vinho.
- Para as crianças que ainda não atingiram a idade da razão, a receção da Eucaristia não é necessária para a salvação.
- A Comunhão sob as duas espécies não é necessária para nenhum membro individual dos fiéis, nem por razão de um preceito divino nem como meio de salvação.
- O poder de consagrar reside unicamente num sacerdote validamente ordenado.
- O Sacramento da Eucaristia pode ser recebido validamente por toda pessoa batizada que se encontre em estado de peregrinação terrena, incluindo as crianças pequenas.
- Para a digna receção da Eucaristia é necessário o estado de graça, bem como a devida e piedosa disposição.
XIV. O Santo Sacrifício da Missa
- A Santa Missa é um verdadeiro e próprio Sacrifício.
- No Sacrifício da Missa torna-se presente o Sacrifício de Cristo na Cruz, celebra-se a sua memória e aplica-se o seu poder salvífico.
- No Sacrifício da Missa e no Sacrifício da Cruz, a Oferenda Sacrificial e o Sacerdote que oferece são idênticos; somente diferem a natureza e o modo da oferta.
- O Sacrifício da Missa não é somente um sacrifício de louvor e ação de graças, mas também um sacrifício de expiação e impetração.
XV. O Sacramento da Penitência e a Confissão
- A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
- Pela Absolvição da Igreja, os pecados são verdadeiramente e imediatamente perdoados.
- O poder da Igreja para perdoar os pecados estende-se a todos os pecados sem exceção.
- O exercício do poder da Igreja para perdoar os pecados é um ato judicial.
- O perdão dos pecados que tem lugar no Tribunal da Penitência é um verdadeiro e próprio Sacramento, distinto do Sacramento do Batismo.
- A justificação extra-sacramental efetua-se somente pela contrição perfeita quando está unida ao desejo do Sacramento (votum sacramenti).
- A contrição nascida do motivo do temor é um ato moralmente bom e sobrenatural.
- A confissão sacramental dos pecados é ordenada por Deus e é necessária para a salvação.
- Por disposição divina, todos os pecados graves (mortais, sérios), segundo a sua espécie e número, bem como as circunstâncias que mudam a sua natureza, estão sujeitos à obrigação da confissão.
- A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é permitida e útil.
- Nem sempre são remitidas por Deus, juntamente com a culpa do pecado e a pena eterna, todas as penas temporais devidas ao pecado.
- O sacerdote tem o direito e o dever, segundo a natureza dos pecados e a capacidade do penitente, de impor obras de satisfação salutares e apropriadas.
- As obras penitenciais extrassacramentais, como a realização de práticas penitenciais voluntárias e a paciência nas provações enviadas por Deus, possuem valor satisfatório.
- A forma do Sacramento da Penitência consiste nas palavras da Absolvição.
- A Absolvição, juntamente com os atos do penitente, produz o perdão dos pecados.
- O efeito principal do Sacramento da Penitência é a reconciliação do pecador com Deus.
- O Sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que, depois do Batismo, caem em pecado grave.
- Os únicos possuidores do Poder de Absolvição da Igreja são os bispos e os presbíteros.
- A absolvição dada por diáconos, clérigos de ordens inferiores e leigos não é Absolvição Sacramental.
- O Sacramento da Penitência pode ser recebido por qualquer batizado que, depois do Batismo, tenha cometido um pecado grave ou venial.
- A Igreja possui o poder de conceder Indulgências.
- O uso das Indulgências é útil e proveitoso para os Fiéis.
XVI. A Extrema-Unção
- A Extrema-Unção é um verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo.
- A matéria remota da Extrema-Unção é o óleo.
- A forma consiste na oração do sacerdote pelo enfermo que acompanha a unção.
- A Extrema-Unção concede ao enfermo a graça santificante para o animar e fortalecer.
- A Extrema-Unção produz a remissão dos pecados graves que ainda permanecem e dos pecados veniais.
- A Extrema-Unção produz, por vezes, a restauração da saúde corporal, se isso for para o bem espiritual.
- Somente os bispos e os presbíteros podem administrar validamente a Extrema-Unção.
- A Extrema-Unção só pode ser recebida pelos Fiéis que estão gravemente enfermos.
XVII. O Sacramento da Ordem
- A Ordem Sacerdotal é um verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo.
- A consagração dos presbíteros é um Sacramento.
- Os bispos são superiores aos presbíteros.
- O Sacramento da Ordem confere a graça santificante ao receptor.
- O Sacramento da Ordem imprime um caráter no receptor.
- O Sacramento da Ordem confere um poder espiritual permanente ao receptor.
- O dispensador ordinário de todos os graus da Ordem, tanto sacramental como não sacramental, é somente o bispo validamente consagrado.
XVIII. O Sacramento do Matrimónio
- O Matrimónio é um verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Deus.
- Do contrato sacramental do Matrimónio surge o Vínculo Matrimonial, que obriga ambos os cônjuges a uma comunidade de vida indissolúvel e para toda a vida.
- O Sacramento do Matrimónio concede a Graça Santificante aos contraentes.
XIX. As últimas coisas: morte, juízo, Céu, Inferno e Purgatório
- Na ordem atual da salvação, a morte é um castigo pelo pecado.
- Todos os seres humanos sujeitos ao pecado original estão sujeitos à lei da morte.
- As almas dos justos que, no momento da morte, estão livres de toda culpa de pecado e de toda pena devida ao pecado entram no Céu.
- A bem-aventurança do Céu dura por toda a eternidade.
- O grau de perfeição da visão beatífica concedida aos justos é proporcional aos méritos de cada um.
- As almas daqueles que morrem em estado de pecado pessoal grave entram no Inferno.
- A pena do Inferno dura por toda a eternidade.
- As almas dos justos que, no momento da morte, estão carregadas de pecados veniais ou de penas temporais devidas aos pecados entram no Purgatório.
- No fim do mundo, Cristo voltará em glória para pronunciar o juízo.
- Todos os mortos ressuscitarão no último dia com os seus corpos.
- Cristo, na sua segunda vinda, julgará todos os homens.
Conclusão
A Fé Católica não é uma coleção de opiniões mutáveis ou de meras tradições humanas. Ela está fundada em verdades reveladas por Deus e confiadas à Igreja, para que sejam fielmente preservadas, ensinadas e transmitidas ao longo dos séculos.
Por isso, o estudo da doutrina católica não é apenas um exercício intelectual. É um convite a conhecer Deus mais profundamente, a compreender as verdades da Fé, a conformar a nossa vida com elas e a permanecer firmemente unidos ao ensinamento perene da Igreja Católica.
Como nos exorta São Pedro:
«Estai sempre prontos a responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.»
(1 Pedro 3,15)