Segunda-feira , Maio 25 2026

Por que o Filho de Deus feito homem também é chamado Cristo?

No coração da fé cristã, existem nomes que não são meros rótulos, mas verdadeiras revelações. Um deles é “Cristo”. Não é um sobrenome, nem um título honorífico sem conteúdo: é uma profissão de fé, uma síntese de toda a missão de Jesus Cristo e uma chave para compreender quem Ele é… e quem somos chamados a ser.

Neste artigo, vamos entrar com calma, profundidade e clareza nesta pergunta: por que o Filho de Deus feito homem também é chamado Cristo? E veremos como esta verdade, que pode parecer teórica, tem implicações muito concretas para a nossa vida hoje.


1. O significado de “Cristo”: o Ungido de Deus

A palavra “Cristo” vem do grego Christós, que significa “Ungido”. É a tradução do termo hebraico Messias (Mashiach). Portanto, quando dizemos “Jesus Cristo”, estamos afirmando literalmente:

“Jesus, o Ungido de Deus”

Mas o que significa ser “ungido”?

No Antigo Testamento, a unção com óleo era um sinal visível de eleição divina. Não era um gesto simbólico vazio: significava que Deus consagrava uma pessoa para uma missão específica e lhe concedia a sua graça para cumpri-la.


2. A unção no Antigo Testamento: reis, sacerdotes e profetas

Na história de Israel, três tipos de pessoas eram ungidas:

1. Os reis

Eram ungidos para governar o povo em nome de Deus. Por exemplo, o rei Davi foi ungido pelo profeta Samuel.

2. Os sacerdotes

Eram consagrados para oferecer sacrifícios e servir de mediadores entre Deus e o povo. O sacerdote Aarão é o exemplo clássico.

3. Os profetas

Embora nem sempre com óleo, eram “ungidos” espiritualmente para anunciar a Palavra de Deus. Pensemos em Isaías ou Jeremias.


3. Jesus Cristo: o Ungido perfeito e definitivo

Aqui está o ponto central: Jesus Cristo não é apenas um ungido entre muitos… Ele é o Ungido por excelência.

Ele não cumpre apenas uma dessas funções, mas as três ao mesmo tempo, de maneira plena e perfeita:

✦ Cristo Rei

Não governa com poder político, mas com autoridade divina e amor sacrificial. O seu Reino não é deste mundo, mas transforma o mundo a partir de dentro.

“O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36)

✦ Cristo Sacerdote

Não oferece sacrifícios externos: oferece a si mesmo. Ele é ao mesmo tempo sacerdote e vítima.

“Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5,6)

✦ Cristo Profeta

Não apenas transmite a Palavra de Deus: Ele é a Palavra feita carne.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14)


4. Uma unção diferente: não corporal, mas divina

Aqui entramos em um ensinamento profundamente teológico:

A unção de Jesus Cristo não foi corporal, mas espiritual e divina.

Diferentemente dos antigos reis ou sacerdotes, Jesus não foi ungido com óleo visível. Por quê?

Porque n’Ele habita a plenitude do próprio Deus:

“N’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9)

Isso significa que a sua “unção” não é um sinal externo, mas uma realidade interior absoluta:
Jesus é totalmente consagrado porque é Deus feito homem.

A sua humanidade está completamente permeada pela divindade. Ele não precisa de um sinal:
Ele é a própria realidade que os sinais anunciavam.


5. Cristo: cumprimento de todas as promessas

Durante séculos, o povo de Israel esperou o Messias. Essa esperança percorre toda a Escritura.

Os profetas anunciavam um Ungido que traria a salvação:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu…” (Is 61,1)

Jesus aplica essas palavras a si mesmo na sinagoga:

“Hoje se cumpriu esta Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4,21)

Ou seja:
Jesus não fala apenas sobre o Cristo… Ele é o Cristo esperado.


6. Relevância teológica: por que este título é tão importante?

Chamar Jesus de “Cristo” não é opcional. É essencial para a fé cristã.

Negar que Jesus é o Cristo seria negar a sua missão e a sua identidade. Por isso, a profissão de fé de Pedro é tão central:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)

Nessa frase está resumido todo o cristianismo.


7. Aplicação prática: o que significa para você que Jesus é o Cristo?

Esta verdade não é apenas para ser estudada. É para ser vivida.

1. Cristo é o seu Rei

Isso implica deixar que Ele governe a sua vida: as suas decisões, as suas prioridades, os seus valores.

👉 Pergunta concreta:
Quem realmente governa a sua vida?


2. Cristo é o seu Sacerdote

Ele intercede continuamente por você. Você não está sozinho diante de Deus.

👉 Aplicação:
Recorra a Ele na oração. Confie na sua misericórdia.


3. Cristo é o seu Profeta

Ele continua a falar com você hoje: na Escritura, na Igreja, na sua consciência.

👉 Aplicação:
Escute a sua voz. Dedique tempo ao Evangelho.


8. Um chamado para hoje: viver como ungidos

Aqui está algo belo e muitas vezes pouco compreendido:

Pelo batismo, você também participa da unção de Cristo.

De certo modo, você é:

  • sacerdote (oferece a sua vida a Deus),
  • profeta (testemunha a verdade),
  • rei (domina o pecado e serve aos outros).

Num mundo marcado pela confusão, pelo relativismo e pela perda de sentido, essa identidade é mais necessária do que nunca.


9. Conclusão: Cristo, centro da história… e da sua vida

Dizer que Jesus é o Cristo não é repetir uma fórmula antiga. É afirmar que:

  • Deus agiu na história,
  • cumpriu as suas promessas,
  • e continua a agir hoje na sua vida.

Cristo não é apenas uma figura do passado.
Ele é o Ungido vivo, presente e próximo.

E a grande pergunta não é apenas:
por que Ele é chamado Cristo?

Mas sim:
que lugar Cristo ocupa na sua vida?


Conclusão espiritual

Talvez hoje seja um bom momento para fazer sua a profissão de fé de Pedro, não apenas com palavras, mas com o coração:

“Senhor, Tu és o Cristo…
o Ungido de Deus,
o sentido da minha vida,
o meu Rei, o meu Sacerdote e o meu Profeta.”

E a partir daí, começar — ou recomeçar — um caminho de fé mais consciente, mais profundo e mais autêntico.

Sobre catholicus

Pater noster, qui es in cælis: sanc­ti­ficétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua, sicut in cælo, et in terra. Panem nostrum cotidiánum da nobis hódie; et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris; et ne nos indúcas in ten­ta­tiónem; sed líbera nos a malo. Amen.

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