Quarta-feira , Fevereiro 11 2026

A Grande Comissão: «Ide e fazei discípulos», o mandato que mudou a História e continua a incendiar o mundo

A Grande Comissão de Jesus não é uma lembrança piedosa do passado, mas o mandato mais urgente, revolucionário e atual que Cristo deixou à sua Igreja. Não é uma sugestão, nem uma opção reservada a alguns especialmente “religiosos”. É uma ordem direta do Senhor ressuscitado, pronunciada com autoridade divina e destinada a atravessar os séculos até alcançar — hoje — a ti e a mim.

Este artigo quer educar, inspirar e servir como guia espiritual, ajudando-te a compreender o que é realmente a Grande Comissão, por que ela é central na fé católica tradicional e como vivê-la com fidelidade, zelo apostólico e caridade pastoral no mundo atual.


1. O que é a Grande Comissão? A última ordem do Rei eterno

A Grande Comissão é formulada de maneira explícita no final do Evangelho segundo São Mateus:

«Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos mandei. E eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.»
(Mt 28,19–20)

Estas palavras não são um simples discurso de despedida. São o testamento espiritual de Cristo, pronunciado após a Ressurreição, quando a sua autoridade já havia sido plenamente manifestada:

«Todo o poder me foi dado no céu e na terra» (Mt 28,18).

A Igreja nasce missionária porque Cristo a fundou missionária. Desde a sua origem, o catolicismo não é uma fé encerrada na esfera privada, mas uma fé que sai, anuncia, congrega, ensina e batiza.


2. Raízes bíblicas e continuidade em toda a Revelação

A Grande Comissão não surge do nada. Ela é preparada ao longo de toda a Sagrada Escritura:

  • Deus promete a Abraão que «em ti serão abençoadas todas as nações da terra» (Gn 12,3).
  • Os profetas anunciam que as nações caminharão em direção à luz do Senhor (cf. Is 2,2–3).
  • Jesus já envia os Doze e os setenta e dois durante o seu ministério público (cf. Lc 10,1).
  • Após Pentecostes, os Apóstolos pregam sem medo, mesmo sob perseguição.

A Igreja primitiva compreendeu perfeitamente o mandato: ou se evangeliza, ou se trai o Evangelho.


3. Relevância teológica: evangelizar não é opcional

Do ponto de vista teológico, a Grande Comissão apoia-se em verdades fundamentais:

a) Cristo é o único Salvador

A Igreja confessa, com caridade mas com clareza, que:

«Em nenhum outro há salvação, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos» (At 4,12).

Evangelizar não é impor, mas oferecer a salvação que Deus quer para todos.

b) A fé vem da pregação

São Paulo afirma sem rodeios:

«Como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?» (Rm 10,14).

A fé não nasce espontaneamente. Ela precisa de testemunhas, de palavras, de sacramentos e de ensinamento.

c) A Igreja é o sacramento universal da salvação

Negar a missão evangelizadora da Igreja é esvaziá-la de sua razão de ser.


4. Proselitismo católico: esclarecer uma palavra mal compreendida

Hoje a palavra proselitismo é frequentemente vista como algo negativo. No entanto, no seu sentido autêntico e tradicional, o proselitismo católico não é manipulação nem pressão psicológica.

O que o proselitismo católico NÃO é:

  • Não é coerção.
  • Não é engano.
  • Não é desprezo pelo outro.
  • Não é violência cultural ou espiritual.

O que ELE É:

  • Anúncio explícito de Cristo.
  • Convite livre e racional à fé.
  • Testemunho coerente de vida cristã.
  • Desejo sincero do bem eterno do outro.

Amar verdadeiramente significa querer a salvação do outro, e não apenas o seu bem-estar temporal.


5. A Grande Comissão no contexto atual: um mundo que precisa ser re-evangelizado

Vivemos numa sociedade:

  • secularizada,
  • relativista,
  • espiritualmente cansada,
  • e, paradoxalmente, faminta de sentido.

Hoje a missão não se dirige apenas a “terras distantes”, mas também a:

  • famílias,
  • jovens,
  • ambientes de trabalho,
  • redes sociais,
  • culturas outrora cristãs que se esqueceram de Deus.

A Grande Comissão hoje é missão ad intra e ad extra.


6. Guia prática rigorosa: viver hoje a Grande Comissão

1. Conversão pessoal

Não se pode evangelizar aquilo que não se vive.
A missão começa com:

  • uma vida sacramental fiel,
  • a oração diária,
  • a coerência moral.

2. Formação sólida

Um católico sem formação é um missionário desarmado.
É essencial:

  • conhecer o Catecismo,
  • a Sagrada Escritura,
  • a Tradição e o Magistério.

3. Testemunho visível

A vida cristã deve interpelar:

  • no trabalho,
  • na família,
  • no sofrimento,
  • na alegria.

4. Anúncio explícito

Chegará o momento de falar:

  • de Cristo,
  • da Igreja,
  • dos sacramentos,
  • do sentido último da vida.

O silêncio permanente não é prudência: é omissão.

5. Acompanhamento pastoral

Evangelizar não é lançar mensagens e desaparecer.
É caminhar com as pessoas, escutar, corrigir com caridade e paciência.

6. Confiança na graça

A conversão não é produzida pelo missionário, mas por Deus.
A nossa tarefa é semear fielmente.


7. Maria e a Grande Comissão: a primeira missionária

Antes dos Apóstolos, Maria já havia levado Cristo ao mundo ao visitar Isabel. Ela ensina:

  • prontidão,
  • humildade,
  • docilidade ao Espírito Santo.

Toda missão autenticamente católica é mariana.


Conclusão: um mandato que ainda espera o teu «sim»

A Grande Comissão não é apenas para bispos, sacerdotes ou missionários “oficiais”.
Ela é para todo batizado.

Cristo continua a dizer hoje:

«Ide».

Ele não perguntou se seria fácil.
Não prometeu aplausos.
Mas garantiu algo essencial:

«Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo».

E com esta promessa, a Igreja continua o seu caminho…
Caminhas tu com ela?

Sobre catholicus

Pater noster, qui es in cælis: sanc­ti­ficétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua, sicut in cælo, et in terra. Panem nostrum cotidiánum da nobis hódie; et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris; et ne nos indúcas in ten­ta­tiónem; sed líbera nos a malo. Amen.

Veja também

Um fantasma pode pedir uma Missa?

O que dizem os teólogos tradicionais sobre as aparições das almas do Purgatório Introdução: entre …

error: catholicus.eu