{"id":6341,"date":"2026-08-13T15:54:34","date_gmt":"2026-08-13T13:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catholicus.eu\/pt\/?p=6341"},"modified":"2026-08-13T15:54:34","modified_gmt":"2026-08-13T13:54:34","slug":"o-verao-da-virgem-a-bela-tradicao-que-ligava-a-colheita-agricola-ao-triunfo-celestial-de-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catholicus.eu\/pt\/o-verao-da-virgem-a-bela-tradicao-que-ligava-a-colheita-agricola-ao-triunfo-celestial-de-maria\/","title":{"rendered":"O \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d: a bela tradi\u00e7\u00e3o que ligava a colheita agr\u00edcola ao triunfo celestial de Maria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 momentos do ano em que a Igreja parece falar-nos numa linguagem que todos podem compreender, mesmo antes de abrir um livro de teologia. O outono fala-nos de maturidade e de fim; o inverno, de espera; a primavera, da vida que renasce; e o ver\u00e3o, com os seus campos dourados, os seus frutos maduros e os seus longos dias de luz, parece proclamar que a cria\u00e7\u00e3o chegou a um momento de plenitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cora\u00e7\u00e3o deste ver\u00e3o, no dia 15 de agosto, a Igreja celebra uma das solenidades mais antigas e mais belas da cristandade: a Assun\u00e7\u00e3o da Bem-Aventurada Virgem Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que esta festa permaneceu profundamente ligada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es rurais de numerosos povos europeus. Onde a colheita come\u00e7ava a ser recolhida, onde os frutos amadureciam e onde o homem contemplava com gratid\u00e3o o resultado de meses de trabalho, a Igreja colocou uma festa que anunciava uma colheita infinitamente superior: a glorifica\u00e7\u00e3o de uma criatura humana em corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daqui nasce uma bela maneira de contemplar este per\u00edodo do ano como um verdadeiro <strong>\u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d<\/strong>: um tempo em que a natureza parece alcan\u00e7ar a sua maturidade enquanto a liturgia nos recorda que o destino \u00faltimo do homem n\u00e3o est\u00e1 na terra, mas no C\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conv\u00e9m, contudo, fazer uma precis\u00e3o hist\u00f3rica. A express\u00e3o \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d n\u00e3o designa, em sentido estrito, uma institui\u00e7\u00e3o lit\u00fargica universal da Idade M\u00e9dia e n\u00e3o pode ser simplesmente atribu\u00edda a uma \u00fanica tradi\u00e7\u00e3o medieval documentada. \u00c9 mais correto falar de um <strong>conjunto de costumes, festas, b\u00ean\u00e7\u00e3os de frutos e ervas, celebra\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e devo\u00e7\u00f5es marianas associadas ao per\u00edodo da Assun\u00e7\u00e3o<\/strong>. A for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o popular entrela\u00e7ou estes elementos at\u00e9 transformar o cora\u00e7\u00e3o de agosto num tempo particularmente mariano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 precisamente aqui que encontramos algo de enorme valor para o crist\u00e3o de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Assun\u00e7\u00e3o: quando a colheita se torna teologia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Igreja ensina como verdade de f\u00e9 que a Sant\u00edssima Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi elevada \u00e0 gl\u00f3ria celeste em corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Papa Pio XII definiu solenemente este dogma em 1 de novembro de 1950, mediante a constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Munificentissimus Deus<\/em>. Mas a defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica n\u00e3o inventou a doutrina: confirmou solenemente uma f\u00e9 que havia sido venerada e transmitida durante s\u00e9culos. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 j\u00e1 celebrava a Dormi\u00e7\u00e3o e a glorifica\u00e7\u00e3o de Maria muito antes da moderna defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Paulo oferece uma das imagens b\u00edblicas mais profundas para compreender este mist\u00e9rio:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCristo ressuscitou dos mortos, prim\u00edcias dos que morreram\u201d (1 Cor 15,20).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristo \u00e9 a verdadeira prim\u00edcia. Ele \u00e9 o primeiro a ressuscitar gloriosamente. Mas Maria, unida ao seu Filho de uma maneira singular\u00edssima, j\u00e1 participa antecipadamente desta vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II explicou que Maria \u00e9 a <strong>\u201cprimeira a participar da alian\u00e7a divina\u201d<\/strong> plenamente realizada em Cristo e que a sua glorifica\u00e7\u00e3o constitui uma promessa da nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui aparece a extraordin\u00e1ria liga\u00e7\u00e3o com a agricultura tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O agricultor contempla o primeiro fruto maduro e sabe que n\u00e3o se trata simplesmente de um fruto isolado. \u00c9 um sinal. Anuncia que a colheita est\u00e1 a chegar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma maneira, Maria glorificada \u00e9 uma <strong>prim\u00edcia da humanidade redimida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela mostra-nos antecipadamente aquilo que Deus deseja realizar em todos aqueles que permanecem unidos a Cristo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O dia 15 de agosto no cora\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o crist\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A festa da Assun\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparece num momento qualquer do calend\u00e1rio. Encontra-se no cora\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o, quando, em muitas regi\u00f5es do hemisf\u00e9rio norte, os campos atingiram a sua maturidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para uma sociedade rural, isto tinha uma import\u00e2ncia enorme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O homem medieval n\u00e3o vivia separado dos ritmos da natureza. Dependia da chuva, do sol, da fertilidade da terra, da matura\u00e7\u00e3o do trigo, da vinha, das \u00e1rvores de fruto e da prote\u00e7\u00e3o dos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colheita n\u00e3o era simplesmente uma quest\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a religi\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o podia ser uma experi\u00eancia desligada do campo. O agricultor trabalhava, mas sabia que n\u00e3o podia fabricar o sol. Semeava, mas n\u00e3o podia criar a semente. Cultivava a terra, mas n\u00e3o podia obrig\u00e1-la a produzir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A natureza recordava-lhe continuamente que o homem \u00e9 <strong>colaborador<\/strong>, e n\u00e3o senhor absoluto da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Sagrada Escritura j\u00e1 havia estabelecido esta vis\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA terra produziu erva, plantas que d\u00e3o semente segundo a sua esp\u00e9cie e \u00e1rvores que d\u00e3o fruto com a semente dentro, segundo a sua esp\u00e9cie\u201d (Gn 1,12).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o trabalho humano torna-se uma resposta agradecida a esse dom.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A b\u00ean\u00e7\u00e3o das ervas e dos frutos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos exemplos mais interessantes desta mentalidade aparece nos antigos costumes associados ao dia 15 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em diversas regi\u00f5es da Europa, especialmente nos pa\u00edses de l\u00edngua alem\u00e3, existe a tradi\u00e7\u00e3o de levar ervas e plantas \u00e0 igreja para serem aben\u00e7oadas na solenidade da Assun\u00e7\u00e3o. O <em>Diret\u00f3rio sobre a Piedade Popular e a Liturgia<\/em> reconhece este costume e explica a sua liga\u00e7\u00e3o com a festa mariana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia teol\u00f3gica deste gesto \u00e9 maior do que poderia parecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se tratava simplesmente de levar plantas para obter \u201cboa sorte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Igreja procurou orientar para Deus aquilo que, em outras culturas, poderia ter permanecido associado a pr\u00e1ticas m\u00e1gicas. A b\u00ean\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o transforma as plantas em objetos m\u00e1gicos nem garante automaticamente sa\u00fade, prosperidade ou prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo contr\u00e1rio, proclama que <strong>toda criatura vem de Deus e deve conduzir o homem at\u00e9 Ele<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A b\u00ean\u00e7\u00e3o transforma o olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crist\u00e3o contempla uma planta e pode dizer:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTamb\u00e9m isto \u00e9 obra de Deus.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contempla o trigo e recorda a Eucaristia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contempla o fruto e recorda o fruto da gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contempla a beleza da cria\u00e7\u00e3o e recorda o Criador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E contempla Maria glorificada e compreende que toda a cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 destinada a uma plenitude que ainda n\u00e3o vemos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maria: a terra que deu o fruto eterno<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe aqui um simbolismo mariano de extraordin\u00e1ria riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria \u00e9 a boa terra que acolhe a Palavra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 a Virgem que diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u201d (Lc 1,38).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E deste \u201cfiat\u201d nasce Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compara\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 extraordinariamente profunda: a terra recebe a semente, guarda-a no seu seio e finalmente produz o fruto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria recebe no seu ventre o Verbo eterno feito carne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas existe uma diferen\u00e7a fundamental: o fruto de Maria n\u00e3o \u00e9 simplesmente um fruto da terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 <strong>o pr\u00f3prio Cristo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 aplicou a Maria numerosas imagens provenientes da natureza: jardim fechado, fonte, vinha, l\u00edrio, cedro, rosa, terra fecunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata de transformar a natureza numa divindade \u2014 algo completamente contr\u00e1rio \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 \u2014, mas de descobrir na cria\u00e7\u00e3o s\u00edmbolos que podem ajudar-nos a contemplar a obra de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio <em>Diret\u00f3rio sobre a Piedade Popular e a Liturgia<\/em> observa que a associa\u00e7\u00e3o das ervas \u00e0 Virgem foi favorecida por diversas imagens b\u00edblicas aplicadas a Maria e, em particular, pela refer\u00eancia ao rebento que nasce da raiz de Jess\u00e9 e produz o fruto bendito, Cristo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Assun\u00e7\u00e3o como triunfo da mat\u00e9ria redimida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe tamb\u00e9m um ensinamento particularmente importante para o nosso tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Assun\u00e7\u00e3o de Maria afirma que <strong>o corpo humano \u00e9 importante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa cultura que oscila entre a obsess\u00e3o pelo corpo e o seu desprezo, a Igreja oferece uma resposta radicalmente diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O corpo n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o para a alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um objeto destinado exclusivamente ao prazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 uma mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 algo que possa ser manipulado sem limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O corpo faz parte da pessoa humana e \u00e9 chamado a participar na gl\u00f3ria eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria est\u00e1 no C\u00e9u n\u00e3o apenas como alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela est\u00e1 ali <strong>em corpo e alma<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II sublinhou precisamente esta singularidade: enquanto a ressurrei\u00e7\u00e3o corporal dos outros seres humanos ter\u00e1 lugar no fim dos tempos, em Maria a glorifica\u00e7\u00e3o corporal foi antecipada mediante um privil\u00e9gio especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a Assun\u00e7\u00e3o constitui uma poderosa defesa da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cristianismo n\u00e3o despreza a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mat\u00e9ria foi assumida por Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Verbo fez-Se carne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristo ressuscitou corporalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria foi corporalmente glorificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E tamb\u00e9m n\u00f3s esperamos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma colheita que ainda n\u00e3o terminou<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem agr\u00edcola pode levar-nos ainda mais longe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um agricultor recolhe os primeiros frutos, a colheita ainda n\u00e3o terminou necessariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As prim\u00edcias s\u00e3o precisamente uma promessa daquilo que vir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim devemos compreender Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a para a Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Papa Bento XVI explicou que em Maria, nova Eva, contemplamos \u201co in\u00edcio e a imagem da Igreja\u201d e um \u201csinal de esperan\u00e7a segura\u201d para os crist\u00e3os que ainda s\u00e3o peregrinos na terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Igreja ainda est\u00e1 a caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s ainda estamos em luta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda pecamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda precisamos de convers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sofremos doen\u00e7as, perdas, envelhecimento e morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Maria j\u00e1 chegou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 como a primeira luz que anuncia a aurora completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 precisamente por isso que o \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d pode tornar-se uma poderosa catequese.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que esta tradi\u00e7\u00e3o pode ensinar-nos hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vivemos numa sociedade praticamente desligada dos ciclos agr\u00edcolas. Muitos compram os alimentos nos supermercados sem sequer pensar de onde v\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos ter tomates no inverno, frutas fora de \u00e9poca e alimentos provenientes de milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia reduziu a nossa depend\u00eancia direta da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas isto pode fazer-nos esquecer uma verdade elementar: <strong>continuamos a ser criaturas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuamos a depender de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuamos a envelhecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuamos a precisar de alimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuamos submetidos ao tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuamos a caminhar para a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 precisamente por isso que precisamos de recuperar uma espiritualidade da gratid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d pode tornar-se uma oportunidade pastoral para ensinar as fam\u00edlias a olhar para a cria\u00e7\u00e3o de maneira crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cinco pr\u00e1ticas para viver um \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Primeiro: celebrar verdadeiramente a Assun\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dia 15 de agosto n\u00e3o deveria reduzir-se a uma festa popular, a uma refei\u00e7\u00e3o familiar ou a um dia de f\u00e9rias. \u00c9 uma solenidade mariana de enorme import\u00e2ncia. Participar na Santa Missa, rezar o Ros\u00e1rio e meditar sobre o mist\u00e9rio da Assun\u00e7\u00e3o pode devolver a esta data o seu verdadeiro significado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Segundo: aben\u00e7oar a mesa e agradecer pelos alimentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada refei\u00e7\u00e3o pode tornar-se uma pequena catequese. Antes de comer, uma simples ora\u00e7\u00e3o recorda-nos que o alimento n\u00e3o aparece magicamente diante de n\u00f3s: por detr\u00e1s dele est\u00e3o a terra, a \u00e1gua, o trabalho humano e, sobretudo, a Provid\u00eancia divina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Terceiro: ensinar \u00e0s crian\u00e7as a linguagem da cria\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um passeio pelo campo pode tornar-se uma li\u00e7\u00e3o de teologia. Mostrar uma espiga de trigo e falar sobre a Eucaristia. Observar uma semente e explicar a Ressurrei\u00e7\u00e3o. Contemplar um fruto e falar sobre a gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quarto: abandonar a supersti\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma b\u00ean\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona como um amuleto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua benta n\u00e3o \u00e9 magia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma medalha n\u00e3o \u00e9 um talism\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ervas bentas n\u00e3o s\u00e3o objetos dotados de poderes aut\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo sacramental conduz a Deus e disp\u00f5e o homem a receber a sua gra\u00e7a. Quando \u00e9 separado da f\u00e9, pode degenerar em supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quinto: olhar para Maria como nosso destino, e n\u00e3o apenas como nossa prote\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 muito bonito pedir \u00e0 Virgem que nos proteja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas devemos pedir algo ainda mais profundo: que ela nos conduza a Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria n\u00e3o \u00e9 o ponto final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o caminho materno que conduz ao Filho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O verdadeiro \u201cver\u00e3o\u201d da nossa vida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe, finalmente, uma dimens\u00e3o espiritual que talvez seja a mais bela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ver\u00e3o representa a maturidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m a nossa vida precisa de chegar \u00e0 maturidade espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Paulo fala daqueles que produzem fruto:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO fruto do Esp\u00edrito \u00e9 caridade, alegria, paz, paci\u00eancia, benignidade, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o e dom\u00ednio de si\u201d (Gl 5,22-23).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que estamos a colher?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque toda a vida humana acaba por produzir algum fruto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns produzem ressentimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros vaidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros ego\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros, pelo contr\u00e1rio, caridade, paci\u00eancia, sacrif\u00edcio, fidelidade e santidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 simplesmente quanto tempo vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 <strong>que fruto produziu a nossa vida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria mostra-nos a resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda a sua exist\u00eancia estava orientada para Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua grandeza n\u00e3o consistiu em procurar-se a si mesma, mas em entregar-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu \u201cfiat\u201d foi uma semente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua maternidade foi uma semente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua dor junto da Cruz foi uma semente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua perseveran\u00e7a com os Ap\u00f3stolos foi uma semente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a Assun\u00e7\u00e3o revela o fruto definitivo dessa fidelidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maria, prim\u00edcia da colheita eterna<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ver\u00e3o terminar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa vida tamb\u00e9m terminar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os campos que hoje est\u00e3o dourados ser\u00e3o ceifados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os frutos cair\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As folhas mudar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As f\u00e9rias terminar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os anos passar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a Assun\u00e7\u00e3o proclama que existe uma colheita que n\u00e3o termina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristo venceu a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria j\u00e1 participa plenamente desta vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00f3s somos chamados a ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d pode ser muito mais do que uma bela express\u00e3o popular. Pode tornar-se para n\u00f3s uma verdadeira escola de espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando contemplamos um campo maduro, recordemos que tamb\u00e9m a nossa alma deve amadurecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando recebemos um fruto, recordemos que toda criatura \u00e9 um dom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando vemos uma espiga de trigo, recordemos a Eucaristia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando celebramos o dia 15 de agosto, recordemos que o nosso destino n\u00e3o \u00e9 simplesmente envelhecer e desaparecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quando levantamos os olhos para Maria, recordemos que uma criatura humana j\u00e1 entrou na gl\u00f3ria com todo o seu ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 a colheita antecipada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 a primeira flor plenamente aberta no jardim da Reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 a nova Eva junto do novo Ad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 a M\u00e3e que nos precede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o seu triunfo n\u00e3o nos afasta da terra: <strong>ensina-nos para que finalidade a terra foi criada e para que destino caminha a humanidade redimida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Assun\u00e7\u00e3o, celebrada no cora\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o, permite-nos assim contemplar um dos grandes paradoxos da f\u00e9 cat\u00f3lica: enquanto o mundo olha para o ver\u00e3o como uma \u00e9poca de plenitude passageira, a Igreja olha para Maria e recorda-nos que existe uma plenitude que n\u00e3o murcha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colheita deste mundo termina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colheita de Deus permanece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, no meio do calor de agosto, a Igreja convida-nos a olhar para o C\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ali encontramos uma Mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma M\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma Rainha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma criatura humana glorificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Sant\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assunta ao C\u00e9u, ela \u00e9 a promessa viva de que a fidelidade a Cristo nunca termina em fracasso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como afirmou Bento XVI ao contemplar este mist\u00e9rio, a Assun\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite a meditar sobre o \u201cverdadeiro sentido e valor da exist\u00eancia humana em vista da eternidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que este \u201cVer\u00e3o da Virgem\u201d, portanto, n\u00e3o seja apenas uma bela recorda\u00e7\u00e3o da piedade dos nossos antepassados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que seja tamb\u00e9m para n\u00f3s um chamamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trabalhar enquanto temos tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A semear o bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultivar a alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A receber com gratid\u00e3o os dons de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viver unidos a Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a olhar para Maria, porque nela a Igreja j\u00e1 contempla aquilo que, pela gra\u00e7a de Deus, espera tornar-se um dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A colheita come\u00e7ou em Cristo.<br>A primeira grande messe humana floresceu em Maria.<br>E a colheita definitiva ser\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 momentos do ano em que a Igreja parece falar-nos numa linguagem que todos podem compreender, mesmo antes de abrir um livro de teologia. 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